Thursday, November 30, 2006

PatinAÇÃO

As coisas estão mudando... a antes tão dependente Papah resolveu que não ia mais esperar por seu-ninguém pra se entregar às rodinhas. E lá foi ela. Contando com o apoio essencial da mão amiga mais amiga e incentivadora desse mundo, ela atravessou a avenida e deu os primeiros passos sobre as rodas. Meio desajeitada, nada equilibrada, mas muito persistente, caminharam até o ponto em que ela sentiu que precisava parar.
A amiga talvez não tenha percebido a emoção, mas Papah reviu naquele momento o local onde tudo começou. Bem ali, naquela mesma quadra, naquele mesmo horário, quando o Sol ainda não se foi, e a luz das estrelinhas ainda não se fez notar.
Então, parou e se entregou àquele momento. Não tinha mais medo. Nem o equilíbrio lhe faltava. Tudo bem, não tinha a mesma desenvoltura de outrora, não deslizou sobre um pé só, nem fez carrinho, aviãozinho, nem andou pra trás, como quando criança. Mas desfrutou daquele momento com todo o sentimento contido em seu coração. Deu quantas voltas pôde, suando muito e sendo refrescada pela brisa do mar. Sim, o mar bem a sua frente...
Não demorou muito, a quadra foi invadida por skatistas. Gente do bem. Que olhou e disse: "oi, tudo bom?". Lá se está ela fazendo amizade. Ô, menina danada, essa...teve um que quis apostar corrida. Mas ela não foi. Já bastava tamanha audácia...depois de bem 10 anos sem fazer aquilo. Melhor não se arriscar na primeira. E com a sorte de todo principiante, escapou dos tombos. Ou então vai ver que é que nem a tal da bicicleta lá, pra quem aprendeu.
Saiu tão feliz que atendeu o orelhão que tocava estridente para ninguém.
"Alô. Com quem? Josenilson? Ah....Jufenildoo....Olha, eu juro que eu só não vou chamar porque a casa de câmbio é do outro lado da rua, e eu estou de patins. Se eu tivesse de tênis, atravessava e ia chamar pra senhora. Não, não...o rapazinho da banca do coco também não chegou ainda. De nada, beijo, tchau."
Tu acha? Um homem com um nome assim? Imagine se ela fosse chamar... Ela iria se apaixonar com certeza. E não caberia mais paixão dentro daquele fim de tarde.

Wednesday, November 29, 2006

MY week

Não...não se trata de mais uma composition de quando a gente volta das férias para o curso de inglês, e o professor finge que quer saber da sua rotina só pra ver se você está sabendo aplicar os tempos verbais da forma correta.
Estou completando mais uma primavera e, embora eu não tenha nem idéia do que vai ser de mim no dia do meu "desaniversário", como diria uma professora muito querida, a minha semana está sendo uma festa. Fiz em quatro dias quase todas as coisas que eu amo, cercada por pessoas mais que especiais. A semana é toda minha, e comemorar nunca é demais.
Se a sexta for pelo menos parecida com o que aconteceu entre domingo e quarta-feira já está valendo. Cabecinha repleta de idéias, querendo escrever mil textos...

Tuesday, November 28, 2006

Rifa-se um coração...

"Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista. Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.


Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado,
meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista... Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e se recusa a envelhecer".

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.

Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas, vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta."
(Claro que é dela)

Monday, November 27, 2006

A função social das "aspas"

Dentre todos os sinais de pontuação, acredito que as aspas sejam o mais "versátil". É, porque nenhum outro é tão utilizado para tantas "funções". Assim, se o sujeito não sabe que palavra usar, ASPAS em outra....se quer dar uma "ênfase"...ASPAS.
Quantos e quantos orkuts levam aspas nos seus "about me"? (para expressões em outra língua, usamos as aspas). O meu é um...mas está lá uma citação.
E tem aqueles que não trazem nada além das reticências...mas pra que deixá-las tão soltas, quando se pode colocá-las entre aspas? Assim, oh: about me: "...".
Profundo, muito profundo...mas tão profundo deve ser o significado disso, que eu nem me arrisco a entender.
O fato é que faz tempo que as aspas deixaram de ter utilidade apenas quando do uso da citação, da ênfase, dos termos estrangeiros ou dos neologismos.
Hoje, as aspas fazem parte não só da escrita; elas viraram um gesto...veja só: quem nunca viu aquele amigo que, ao contar uma história, no auge da empolgação, ao tentar dar um tom de ironia, ou não achar a palavra exata, apenas posiciona as duas mãos no ar, na altura do rosto, balançando os dedinhos indicador e médio, "imitando" as aspas???? São dois movimentos, bem depressa, como se as escrevesse no ar. E o pior...todo mundo entende...sabe que não se está falando no sentido "literal" da palavra.
Fora quando você vai falar praquela amiga o que o "Fulano" disse...."Mulher, ele falou assim: (abre aspas... tananam, tananam, tananam, tananam....fecha aspas). Tu acredita???"
Nunca vi nada igual...nem com vírgula, nem com ponto, interrogação ou exclamação. Nem com parênteses ou reticências, dois pontos ou travessão...realmente, os outros sinais de pontuação, sejam de entoação ou de pausa, que me desculpem, mas só as "aspas" estão assim...tão..."presentes" em nossas vidas. Na minha, pelo menos..tenho uma grande amiga que ama. Ela provavelmente vai querer me "matar" quando ler isso daqui...
Tomara que ela encare como uma "homenagem"...

Sunday, November 19, 2006

FRA / ÇÃO

Fração é um troço que eu aprendi. Mas eu acho que atualmente tem alguma coisa bem errada com o ensino lá pela 3ª, 4ª séries. Porque a partir da 5ª, o que mais escuto é: “Oh, essa aqui eu já sei que eu não vou conseguir resolver... Mas, por quê??? Porque tem fração”.

Eu lembro que eu dividia a pizza, as barras de chocolate...menino, vai ver foi isso. Com esse lance de comida gostosa no meio, não tinha como eu não aprender, né? Era o numerador em cima, indicando as fatias e os pedacinhos, e o denominador embaixo. Uma fração significa dividir algo em partes iguais. Assim:

indica a : b , sendo a e b números naturais, e b diferente de 0. a representa o numerador e b, o denominador.Daí elas podem ser próprias, impróprias ou aparentes. E tem também as equivalentes, que obtemos através da simplificação de frações, quando devemos dividir o numerador e o denominador por um mesmo número inteiro. E haja testa franzida escutando essas orientações.
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Pois eu pintava as barrinhas com tanto capricho. Adorava escrevê-las por extenso. Principalmente quando chegava a parte de colocar a palavra “avos”. Um doze avos! Acho tão charmoso. Lembro que no colégio, uma coleguinha transformava os “avos” em “avós”.
Pois, gente, não importa a série...“E agora? O item “e” tem fração”. “Tu é muito sabida, Papah...faz com a gente os primeiros e deixa os mais difíceis pra gente fazer sozinha. Olha esse...tem até fração!!

Até que chega o capítulo onde se aprende RAZÃO. Mas olhaaaaaa....a fração disfarçada, pensam que eu não me toco. Não entendo o medo...um número, um tracinho, outro número embaixo.

Acho que a questão do individualismo gera seres egoístas. Apelei, em plena 8ª série, para a divisão de bombons entre amigos. A menina não aceitava por nada que 3/2 eram 1,5. Mesmo depois de fazer a conta: no papel E na calculadora.Então, eu, pacientemente, disse: “Você tem 3 bombons. Você tem 2 amiguinhas. Você vai dividir os bombons. Você entrega um bombom para cada amiga, ok? Ok, ela diz empolgada. Ufa! Agora tem mais um bombom. O que você vai fazer, se você tem 2 amigas? “Eu vou ficar pra mim e comer, né, Paola? Porque se nós somos três, e eu ainda nem ganhei bombom nenhum....”

Tive vontade de chorar. Mas passou. Em uma fração de segundos.

Sunday, November 12, 2006

MAR

Eu gosto do mar. Calmo ou violento, verde ou azul. De dia ou à noite, quente ou gelado. Gosto de como ele me lava a alma. De como leva toda a preocupação. Gosto de refletir, olhando as ondas... Escrever na areia, desenhar...
Lembro que quando criança brincava muito no mar. Desde castelinhos, piscininhas, brincar de enterrar o povo...até o banho, claro. Quando eu chegava, eram quilos de areia, que não sei como cabiam dentro de um biquíni tão pequenino.
Era a menor dos primos. Eles iam lá no fundo, onde meus pés não tocavam a areia. Mas eu não tinha medo. Embora eu devesse ter. E isso me faz ver que o medo só toma conta da gente se for alimentado. Já quase morri no mar. Imagine só....quase morri afogada no mar. E não tenho medo dele.

Em vez de me entregar, passei a brincar de “Changeman” no mar, e imaginava que cada onda era um daqueles monstros de macacão azul com cabelo de macarrão miojo. E esmurrava as ondas com toda a minha força. Eu e o resto do “Esquadrão Relâmpago”. Eu era a amarela. Minha irmã mais velha era a rosa, claro. Minha mãe me consolava dizendo que morena ficava muito bonita de amarelo, “porque destacava”. E aí vem meu desapontamento. Vejam vocês. Não existia a amarela. Existia a branca. Mas morena também fica bem de branco, né? Fui pesquisar, buscando consolar a mim mesma.
E deu certo. Vejam só quem eu era: Sayaka (Change Mermaid) - Meiga e delicada, é a crânio do grupo. Sempre está inventando coisas. Gostei!
E o melhor...fui procurar o perfil da rosa : Mai (Change Phoenex) Ninguém se mete com ela. É invocada, e não leva desaforo para casa. Ei, essa é, definitivamente, a minha irmã...

Suddenly

De repente, eu senti uma vontade de escrever. Como assim, de repente? Não sei como, nem o porquê; só sei que me deu vontade. E eu tô numa fase de respeitar as minhas vontades e, sempre que possível, “matá-las”. Vou matar minha sede de escrever. Não que eu já não o faça com certa freqüência...
Mas agora é diferente. E já sei o que vai ser mais difícil: escrever para ser lida. Isso exige certo desrespeito às regras gramaticais. Significa ignorar coisas que eu ensino todos os dias. Como, por exemplo, a evitar a palavra “coisa” nos textos. Olha que coisa!?!